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Ficar virou um verbo com a conotação de namoro sem compromisso. Mas aqui neste artigo eu quero propor algo relacionado com a permanência ou não no Canadá, de pessoas que estão indecisas quanto a isso. Eu creio que toda pessoa que vem para o Canadá seja como estudante, seja como visitante, trabalhador, ou mesmo residente tem essa pergunta na cabeça: ficar ou não ficar?
No início é tudo muito difícil. A família e os amigos ficaram no Brasil. A nossa língua materna não é oficial aqui. Emprego só consegue quem tem a tal da experiência canadense. O dinheiro que a gente traz vai diminuindo. A saudade vai aumentando. Começamos a sentir falta daquela comidinha caseira, ou até mesmo do restaurante por quilo. Sem falar do futebol, das novelas, e outras bobagens mais. E o churrasco? E o chimarrão. Puxa, que saudade que dá!
Se você é evangélico, com certeza vai sentir falta da sua igreja. Lá você via um certos defeitinhos e com certeza fazia algumas críticas. Mas quando a gente chega por aqui, parece que tudo lá era perfeito, não é? Se você tem outra religião também vai sentir o mesmo.
Sendo mais objetivo, quais seriam os fatores que devem determinar se eu devo ficar no Canadá, ou voltar para o meu país de origem?
Aqui seguem os fatores a ser considerados:
1. Escolha a maneira certa de ficar. Se você quer ficar no Canadá escolha o status de residente permanente, que vai lhe conceder todos os direitos e obrigações de um cidadão canadense menos o de votar. Qualquer outro visto será temporário e não lhe proporciona a liberdade que você precisa para se desenvolver. Por mais digno e sublime que seja o trabalho que você queira fazer, sem o visto apropriado, você não terá liberdade total. Por exemplo, você veio para o Canadá com o visto de trabalho, mas resolveu fazer um “bico” para ajudar a pagar suas despesas. Isso é proibido na maioria dos casos, com exceção ao trabalho na mesma escola, ou com permissão oficial do ministério da imigração. Outro exemplo, você veio com o visto de turista e resolveu ficar por aqui além do tempo permitido. Você fica, você arraja um emprego, escola para as cranças, etc. Depois de um tempo você vai sentir as pressões devido as circunstâncias de saúde, finanças, ou mesmo morais da sua decisão. Se houver qualquer problema com a polícia você será preso e deportado. Não adianta quanta coisa boa e bonita que você tenha feito. Lembre-se: não a jeito certo de fazer uma coisa errada.
Se você se enquadrar em um desses exemplos acima, regularize a sua situação. Procure se informar através de orgãos do governo canadense, ou encontre um especialista em imigração para lhe orientar. Cuidado com os charlatões, aproveitadores e incompetentes. Busque pessoas bem-sucedidas que regularizaram suas situações de maneira adequada e justa.
2. Fique o tempo necessário. Um fator muito importante é dar tempo ao tempo. Depois de seis meses aqui, você deixa de ser “tuirista”. Começamos a perceber as dificuldades do país e das pessoas que nos rodeiam. É necessário pelo menos uns 3 anos para a gente ter uma boa idéia do que o Canadá é, e se vale a pena permanecer por aqui. Depois de 5 anos, você jamais vai querer voltar para o seu país, a não ser para fazer uma visita.
3. Não faça comparações. As comparações não são justas. O Canadá é o Canadá e o Brasil é o Brasil. Cada um tem suas qualidades e defeitos e você jamais vai chegar a uma conclusão qual é o melhor. O negócio é aprender a ser canadense e se adaptar à cultura e ao sistema. Esqueça o que ficou para traz e viva o seu presente e sua realidade atual.
4. Desenvolva sua carreira e amplie o seu curriculo. As oportunidades estão à disposição de quem tem boa vontade e quer buscar novos horizontes. O Canadá oferce muitos cursos em centenas de áreas, que qualquer pessoa, de qualquer idade pode desenvolver uma carreira. O sucesso vai depender de como você encara a vida e de seus valores. Dê asas aos seus sohos. Realize-se.
5. Desenvolva seu rol de amigos. A palavra da vez por aqui é “network”. O “network” é a sua rede contatos. Quanto mais contatos você tem melhor para você e seus negócios também. Amizade é uma via de duas mãos. Você dá e recebe. É verdade. Mas nem sempre isso acontece. Paciência. Outra verdade é que nem sempre os amigos estão na comunidade de sua cultura, mas com certeza estão ao seu redor em sua comunidade. O Canadá é multicultural, portanto você poderá encontrar-se com pessoas do mundo inteiro literalmente. Eu por exemplo, tenho uma pessoa que morou em nossa casa e se tornou como membro da família, ela é vietnamita. Ela casou-se com um amigo meu que conheci na escola de inglês, um Egipcio. E assim vai. Amplie os seus horizontes, corra alguns riscos, mas desenvolva novos amigos, que sempre vale a pena.
6. Conheça outros lugares. A amplidão do Canadá é admirável. Lugares lindíssimos. Pena que não dá para chegar em alguns lugares durante o inverno, mas durante as outras estações é possível. Programe-se e vaje. Vá descobrir outras regiões, cidades e gente.
7. Desfrute das riquezas canadenses. Segurança, estabilidade econômica, educação, sistema de saúde, etc. Este são alguns aspectos do que o Canadá oferece. Há quem diga que o sistema de saúde já foi melhor, mas podemos cotar com um atendimento de primeira classe em qualquer hospital que a gente vai. Os planos de saúde são muito bons e descomplicados.
8. Seja um voluntário. Há instituições governamentais, igrejas, empresas, que oferecem oportunidade para que você ajude outros. Ser voluntário é algo super valorizado pelo canadense e isso pode lhe favorecer também em muitos aspectos de sua vida profissional.
Portanto, assim como no namoro sem compromisso, as pessoas que “ficaram” juntas por um certo período de tempo, agora se separam sem nenhum pudor. Mas um bom relacionamento é feito de maneira que ambas as partes se realizam. Ficar no Canadá exige compromisso, como qualquer bom relacionamento.
Não se precipite, não faça comparações, escolha a maneira certa, aproveite as oportunidades que este país oferece e decida aonde você quer ser feliz.
E lembre-se: o melhor lugar do mundo aonde estar é no centro da vontade de Deus! |